"Um ensaio sobre o pensamento ambiental contemporâneo, a relação ética do homem com a natureza e os animais, e a crise moral que atravessa nossa forma de habitar o planeta." “Algo é certo quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica. É errado quando tende ao contrário.” (Aldo Leopold, A Sand County Almanac, 1949)* Durante muito tempo, tratamos o meio ambiente como um cenário. Um pano de fundo generoso, silencioso, sempre disponível para sustentar nossas urgências econômicas, políticas e pessoais. A natureza estava ali — imóvel, resiliente, quase infinita — enquanto nós passávamos, construíamos, explorávamos e partíamos. Hoje, no entanto, ela deixou de ser paisagem e passou a ser espelho. E o reflexo que nos devolve é inquietante. Há décadas, quando se denunciavam crimes ambientais, acidentes industriais ou agressões aos oceanos, o discurso dominante era o da exceção: “foi um caso isolado”, “o impacto é controlável”, “a natureza se ...