Violência, esse mal eterno

 Entre dados alarmantes e reflexões humanas, a violência em Joinville 

revela um espelho inquietante da condição contemporânea.

A cidade de Joinville, em Santa Catarina, enfrenta um cenário complexo e preocupante no que diz respeito à violência. O fenômeno da agressão, que se manifesta de diversas formas, tem impactado a vida dos cidadãos e desafiado as abordagens tradicionais de combate.

Autor de obras clássicas, Ernest Hemingway registrou em um dos seus trabalhos que “O mundo é um bom lugar e vale a pena lutar por ele.”* Essa frase, embora aparentemente otimista, reconhece a luta constante contra a violência e a busca por um mundo melhor.

A violência, como um vírus insidioso, dissemina-se de pessoa para pessoa. Nos últimos vinte anos, algo desencadeou uma reação em cadeia, trazendo à tona o pior e relegando o “sal da terra” ao esquecimento. O homem contemporâneo carrega consigo não apenas sua animalidade, mas também seus temores, desejos e agressividade, bem como uma divindade peculiar.

Inspirado nas obras de Milan Kundera, autor do clássico universal “A Insustentável Leveza do Ser”, podemos afirmar que a violência é um questionamento da humanidade. O que nos faz lembrar que a violência não é um ato isolado, mas sim uma questão que afeta nossa essência como seres humanos As abordagens convencionais baseadas em punição e advertência moral já não são suficientes para compreender esse fenômeno. Não é a violência em si que deve ser o foco, mas sim o violento – o fenômeno enquanto ação. A linguagem nos distancia da violência, tornando-a algo externo, mas precisamos olhar para dentro de nós mesmos.

Para entender a violência, devemos explorar nossa própria violência pessoal. Ela atua discretamente nas pessoas ditas civilizadas. Não são apenas psicólogos e sociólogos que podem nos ajudar a compreender o fenômeno, mas também penitentes dispostos a refletir e se arrepender.

Em Joinville, a violência assume várias formas. No primeiro semestre de 2023, 43% das vítimas de feminicídio no estado de Santa Catarina foram assassinadas com o uso de arma branca, como facas e punhais. ** Além disso, outras formas de violência também estão presentes: agressões, estrangulamento, atropelamento e queimaduras.

É fundamental que a sociedade se una na busca por soluções eficazes. A violência não pode ser tratada apenas como um problema externo; ela está enraizada em nossa própria natureza. Somente através do autoexame e da compreensão profunda poderemos enfrentar esse desafio e construir um futuro mais seguro e pacífico.

* Hemingway Ernest Por quem os sinos dobram. Rio de Janeiro: Bertrand, 2013.

** Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina

Joinville, 31 de março de 2024


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