A Manipulação das Massas: Os "Demônios" de Dostoiévski na Era Digital

Como as redes sociais e os meios de comunicação contribuem para a criação de um novo tipo de tirania nas sociedades contemporâneas.




Em “Os Demônios”, artigo publicado no Jornal da Tarde – O Estado de São Paulo, em 4 de agosto de 1978, o jornalista e escritor Luiz Carlos Lisboa baseia-se na obra homônima do escritor russo Dostoiévski (Os Demônios, publicada como folhetim em um jornal russo entre 1870 e 1872) para indagar como “a patogenia da mente humana modifica relações humanas, fomenta ódios entre grupos e etnias, levanta nações em guerra, fabrica uma colossal massa de informação supérflua e confunde o mundo.”

Os atuais meios de comunicação – que alguns usam capciosamente e outros tentam destruir e até proíbem – nos fornecem, com um simples gesto em uma tela, o cenário de um infindável e dantesco desafio político entre pessoas que, travestidas de honestidade – como não poderia deixar de ser – são especialistas e perpetuadores da manipulação das massas, creditados como verdadeiros benfeitores da justiça social.

Ávidos da “certeza de que é preciso modificar os outros homens, a sociedade, o planeta, talvez o universo”, ainda segundo LCLisboa, convivem – e se proliferam – na comunidade humana, esteja ela onde estiver. Esses verdugos dostoievskianos são praticamente indetectáveis, mas seus mefistofélicos atos podem ser percebidos por alguns e protestados por poucos.

A atenção de cada cidadão responsável pelo movimento motor da sociedade à qual pertencemos está cada vez mais saturada de informações pueris, que se espalham a cada segundo e entram diretamente no ato de pensar de cada um que precisa lutar pela sua sobrevivência e a de seus comuns. Essas técnicas de manipulação coletiva precisam ser eliminadas de uma vez por todas pelos homens que se dizem do bem, sejam eles políticos ou religiosos. Continuamos a viver sob a égide da política do medo, da incerteza, dos conluios subterrâneos.          

Mais um escrutínio para o cargo maior dos municípios de nossa pátria, subjugada por aqueles que deveriam manter a política do bem comum, mas que se transformaram nos verdadeiros demônios de Dostoiévski, será realizado. Novamente, a sociedade torna-se responsável direta por seu destino, em seu núcleo social, no berço onde vive e sobrevive, e que lhe serve de abrigo.

 

Luiz Delfino de Bittencourt Miranda, ensaísta

delfinomiranda@gmail.com

Joinville, 06 de setembro de 20

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