0 Irmão do Henfil
A dor como ascese e o humanismo de Betinho Oscar Wilde dizia poder simpatizar com tudo, exceto com o sofrimento. Shelley lembrava que alguns homens aprendiam sofrendo o que ensinavam por meio de meras palavras. Wordsworth, poeta e sábio, afirmava que o sofrimento era permanente e obscuro, participando da natureza do infinito. Montaigne, finalmente, asseverava que o homem, temeroso de sofrer, antecipava essa forma de dor que é temer alguma coisa. Essas quatro visões desse antiquíssimo tema, se não atenuam em nada os padecimentos do mundo, ao menos lançam luz sobre a possibilidade de discutir o sofrimento em vários planos diferentes. Com Wilde, estamos todos nós: podemos simpatizar com o sofredor, jamais com o sofrimento. De Wordsworth discordamos num aspecto: a perenidade do padecimento não é real, por isso sua participação no infinito é parcial. Shelley e Montaigne são, a respeito, incontestáveis. Em muitos de seus artigos publicados no "Jornal da Tarde" e "O Est...